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O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) se despediu, na última segunda-feira (6/7), da servidora Maria Margareth Bezerra dos Santos, assistente social e exímia profissional, lembrada com carinho pelos colegas. Ao longo de sua trajetória, dedicou-se à Coordenadoria da Infância e Juventude (CIJ) e se tornou referência na luta pelos direitos humanos, com atuação marcante na equidade racial e na proteção de crianças e adolescentes.
Nascida em Exu, no Sertão do Araripe, em 1º de fevereiro de 1977, Margareth carregou sua identidade e origens por toda a sua carreira. A juíza Luciana Maranhão, que esteve ao seu lado na implementação do Grupo de Trabalho para o Pacto de Equidade Racial, resumiu sua lembrança nos adjetivos de “sertaneja combativa e extremamente afável”. Para a juíza, seu legado vai além do currículo. Em nome das Comissões de Heteroidentificação e da Comissão de Políticas Judiciárias de Equidade Racial e suas Interseccionalidades (CPJERI), ela destaca que Margareth deixa marcas de compromisso, coragem e humanidade nos temas sociais, sobretudo, na infância e juventude, equidade racial e de gênero.
Ainda na área ética e social, passou, também, pelo Núcleo de Orientação e Fiscalização das Entidades (NOFE) da 1ª Vara da Infância e Juventude da Capital antes de chegar à CIJ, onde atuou por último no Tribunal. Também secretariou a Comissão Permanente e Recursal de Heteroidentificação do Poder Judiciário de Pernambuco, responsável pela avaliação das cotas raciais em concursos, e integrava a CPJERI. Não somente, representou o TJPE como membro titular da Comissão de Heteroidentificação em concursos de cartórios do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL).
Quem conviveu com Margareth lembra bem da sua maneira de dedicar-se ao trabalho. Carla Costa Malta, coordenadora adjunta da CIJ, guarda a lembrança de uma colega aguerrida e solidária, que seguia prestativa e diligente em meio aos desafios. “Ela vibrava com as conquistas da CIJ”, conta Carla. “Era uma pessoa de fácil convívio, que deixou como legado a força de continuar mesmo diante das dificuldades.”
Margareth empenhou-se em cuidar dos pequenos e dos menos favorecidos, e levou o título de assistente social não apenas como profissão, mas também como escolha de vida. As crianças, os adolescentes, a causa racial, de gênero e a humanidade em si como um todo formavam o elo que ela cultivou até o fim, comprometida com a existência do outro.
Uma citação antiga do poeta inglês John Donne, que remonta ao século XVII, nos traz uma ideia sobre a dedicação de Margareth e nos ajuda a compreender as perdas que desafiam a vida. Ele escreveu: “Nenhum homem é uma ilha, isolado em si mesmo; todos são parte do continente, uma parte de um todo. Se um torrão de terra for levado pelas águas até o mar, a Europa ficará diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar de teus amigos ou o teu próprio; a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.”
Esse senso de coletividade exemplifica o papel ativo da servidora. Margareth manteve viva uma natureza generosa e solidária com quem cruzava seu caminho, e acreditava na grandeza da humanidade pelo reconhecimento de uns aos outros. Nesse momento de perda, somos diminuídos pela ausência de uma grande profissional e colega. Não perguntamos por quem os sinos dobram: mas para quem conviveu com Maga, hoje eles soam com mais pesar.
O TJPE lamenta profundamente a perda e se solidariza com a família, os amigos e os colegas de trabalho de Margareth Bezerra. Fica o registro de gratidão institucional pela sua entrega ao serviço público e pelo exemplo de firmeza e ternura.
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Texto: Clarice Rabelo | Ascom TJPE
Foto: Arquivo pessoal




