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Registre-se! promove ação em Águas Belas para garantir documentação básica e reconhecimento da identidade indígena do povo Fulni-ô

Mulher de costas sendo atendida por funcionária do cartório"Eu quero a averbação da etnia, porque acho importante a gente ter esse registro indígena. Isso representa oportunidades, como o acesso às cotas nas universidades e nos estudos dos meus filhos. Também é muito importante resgatar nossos laços ancestrais e seguir até o fim, afinal somos índios com orgulho", afirmou a dona de casa Maria Isabel Pinto, 42 anos, uma das mais de mil pessoas que procuraram a ação coordenada pela Corregedoria Geral da Justiça de Pernambuco para incluir a etnia indígena em sua certidão de nascimento e na dos três filhos em Águas Belas. Para ela, a iniciativa é uma forma de preservar a identidade do povo Fulni-ô e ampliar as oportunidades para as novas gerações.

A inclusão da etnia no registro civil foi uma das principais demandas atendidas pelo mutirão. A iniciativa seguiu o mesmo formato da Semana Nacional do Registro Civil - Registre-se! realizado em Pesqueira, que agregou o projeto “Meu Nome é Ancestral”, da Defensoria Pública do município. A campanha, voltada para o povo indígena Fulni-ô, teve como objetivo ampliar o acesso à documentação básica e garantir que a identidade étnica da população indígena seja reconhecida nos documentos oficiais. No total, foram contabilizadas 1.065 solicitações de certidões.

Representantes das instituições parceiras que participaram da açãoA ação foi realizada em parceria com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), a Defensoria Pública de Pernambuco (DPPE), os cartórios de Registro Civil, por meio da Associação dos Registradores de Pessoas Naturais de Pernambuco (Arpen-PE) e a Prefeitura de Águas Belas. Durante os quatro dias de atendimento (21 a 24 de julho), foram oferecidos gratuitamente serviços de emissão de segunda via de certidões de nascimento, casamento e óbito, além da averbação da etnia nos registros civis das pessoas indígenas.

A coordenadora do Registre-se! em Pernambuco, a juíza corregedora Ana Carolina Paiva, destacou o papel da Corregedoria na promoção da ação para o público indígena. “A Corregedoria se faz presente nessas ações, mais uma vez, articulando a estratégia e orientando os parceiros como a Defensoria Pública, IITB, Funai, cartórios e a prefeitura da cidade. A documentação civil básica é a porta de entrada da cidadania, todos precisamos do nosso registro civil, especificamente quanto aos indígenas há a possibilidade de inclusão da etnia que é o anseio dessa população”, explicou.

A iniciativa nasceu a partir de uma demanda apresentada pela Funai, que procurou a Corregedoria para viabilizar uma força-tarefa de documentação voltada às comunidades indígenas da região. Antes da realização do mutirão, um levantamento foi feito entre os(as) moradores(as) da comunidade,  apontando que 95% daqueles que responderam ao questionário tinham interesse de ter a etnia Fulni-ô no seu registro de nascimento.

O representante da Funai, Danilo Borges, da Coordenação-Geral de Acesso à Justiça da Diretoria de Direitos Humanos, ressaltou a importância da ação para o reconhecimento étnico. “A demanda parte dos povos indígenas. A gente esclareceu, junto à Juventude indígena do povo Fulni-ô, junto aos caciques, que a identidade indígena é uma questão do próprio povo. Eles se reconhecem como indígenas, a partir de sua cultura, a partir de suas práticas culturais, da sua religião. Mas, aqui, a gente como Estado, vem proporcionar, facilitar o acesso à documentação civil para ter na sua relação burocrática perante o Estado esse acesso aos documentos”, afirmou.

O defensor público Rivaldo Ramalho levou a experiência de Pesqueira com o Projeto “Meu Nome é Ancestral” e salientou que a atuação integrada das instituições contribui para ampliar o acesso da população indígena à documentação civil e aos seus direitos. “Existem duas frentes, tanto reafirmar pertencimento como também garantir o acesso à documentação básica que, por consequência, serve também como porta de entrada de acesso aos direitos. Essa parceria é fundamental, uma vez que um dos objetivos desse projeto é também evitar violência institucional, no sentido de que quando estamos próximo dos territórios e das comunidades garantimos que a documentação civil seja feita de forma menos burocratizada.”

Os registradores de Pesqueira, Domingos Gustavo Xavier, e Brejão, Thuanny Barros, convidados para participar da iniciativa, falaram do papel dos cartórios na ação. “É uma palavra que eu sempre uso: cidadania. Quando você adiciona no registro de nascimento das pessoas a etnia e aldeia a pessoa consegue hoje se identificar como indígena. A importância do cartório é essa, garantir esse acesso e possibilitar que a pessoa comprove que pertence a determinado povo indígena”, esclareceu Domingos Gustavo Xavier.

Para Thuanny Barros, os cartórios devem levar acolhimento para população indígena. “Para mim, é uma questão de acolhimento. Os cartórios, entre tantas funções, também são elos para a concretização desses direitos. Ao receber a população, trocar essa experiência com a Defensoria Pública, com a Corregedoria, com o pessoal da Funai, com as lideranças indígenas, nós somos elo para concretizar esses direitos, levar essa informação para os registros”, disse.

A iniciativa ainda terá continuidade em agosto, quando será realizada uma segunda etapa voltada à emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN) em parceria com o Instituto de Identificação Tavares Buril. A nova ação busca complementar o trabalho iniciado com a regularização dos registros civis e fortalecer a garantia do direito à cidadania e ao reconhecimento da identidade do povo Fulni-ô.

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Texto: Aryagne Lopes e Rebeka Maciel | Ascom CGJ-PE

Fotos: Letícia Béda | Ascom CGJ-PE