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Junho Verde: gestores do TJPE visitam cooperativa parceira e fortalecem ações de sustentabilidade



Maria José de Sena e a presidente da Coopagres, Laudiceia Maria da Silva

“Pra muita gente é considerado lixo, pra gente é oportunidade.” A frase da presidente da Coopagres, Laudiceia Maria da Silva, resume a importância do trabalho desenvolvido pela Cooperativa de Trabalho de Catadores de Resíduos Sólidos Recicláveis, localizada no bairro de São José, no Recife. Atualmente, 27 famílias retiram seu sustento dos materiais recicláveis que chegam diariamente à unidade, transformando resíduos descartados em geração de renda, inclusão social e preservação ambiental.

Foi para conhecer de perto essa realidade que gestores e gestoras do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) participaram, na manhã desta quinta-feira (4), de uma visita institucional à Coopagres. A atividade integrou a programação do Junho Verde e da 18ª Semana do Meio Ambiente do Tribunal, aproximando representantes da instituição do trabalho realizado pelas cooperativas parceiras responsáveis pela destinação adequada dos resíduos gerados pelo Judiciário pernambucano.

A atividade reuniu cerca de quinze representantes de unidades administrativas do Tribunal, entre elas os Fóruns Paula Batista, Desembargador Rodolfo Aureliano, Thomaz de Aquino, Jaboatão dos Guararapes e São Lourenço da Mata, além do Palácio da Justiça. Durante a visita, os participantes conheceram as etapas de recebimento, triagem e comercialização dos materiais recicláveis, além dos impactos sociais e ambientais proporcionados pela atividade.

O gestor do Núcleo de Sustentabilidade do TJPE, Ayrton Rocha, destacou que a ação busca fortalecer a relação entre o Tribunal e as cooperativas de catadores. “O foco é a possibilidade dos nossos administradores dos prédios conhecerem a realidade de uma cooperativa de catadores de resíduos. Queremos fortalecer cada vez mais essa parceria entre uma organização pública, como o Tribunal de Justiça, que é um grande gerador de resíduos sólidos, e as cooperativas de catadores, conforme preconiza a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Além da importância ambiental, essas parcerias contribuem para a inclusão social e econômica desses trabalhadores”, afirmou.

O TJPE desenvolve ações voltadas à destinação adequada de resíduos desde 2009. Inicialmente, o trabalho concentrou-se na coleta de papel e papelão para encaminhamento à reciclagem. Em 2018, a instituição firmou sua primeira parceria direta com uma cooperativa de catadores. Segundo Ayrton Rocha, o Tribunal trabalha atualmente na ampliação do projeto. “Estamos trabalhando em um novo edital de chamamento para expandir ainda mais essa iniciativa. Hoje temos cerca de 12 prédios realizando a gestão de resíduos, mas queremos alcançar todas as unidades do Tribunal. É importante que os administradores conheçam a relevância desse trabalho e a importância dos nossos parceiros externos para que o processo aconteça de forma cada vez mais eficiente”, ressaltou.

O gestor também destacou que a gestão de resíduos é um dos temas centrais do Junho Verde e das ações relacionadas à Semana da Pauta Verde promovida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). “A gente está percebendo que as cooperativas de catadores e esses profissionais são importantíssimos para a sociedade na destinação adequada dos resíduos. O CNJ tem fortalecido essa discussão em todo o Judiciário, estimulando os órgãos a ampliarem a contratação e a parceria com cooperativas para a prestação desses serviços socioambientais”, observou.

Para Gizely Couto, da Coordenadoria da Governança Institucional do Palácio da Justiça, a visita representou uma importante oportunidade de aprendizado para os servidores envolvidos diretamente na organização da coleta seletiva nas unidades judiciais. “Enquanto instituição, temos a intenção de destinar melhor os resíduos e adotar iniciativas ecologicamente corretas. Mas também estamos aprendendo. Este é um momento de formação e de construção de uma cultura que ainda é nova para muitos de nós, mas extremamente necessária. Ouvir quem trabalha diariamente com o processamento desses materiais é fundamental para aperfeiçoarmos nossas práticas”, afirmou.

A presidente da Coopagres, Laudiceia Maria da Silva, destacou a importância das parcerias institucionais para a manutenção das atividades. “Hoje a cooperativa praticamente sobrevive dessas parcerias, como a do TJPE. São elas que garantem a continuidade do nosso trabalho e a geração de renda para as famílias que dependem da reciclagem”, afirmou.

A história de Maria José de Sena também reflete a transformação social proporcionada pela cooperativa. Integrante da Coopagres desde a sua fundação, ela encontrou na reciclagem uma oportunidade de sustentar os filhos e construir uma trajetória de autonomia financeira. “Foi uma fonte de renda que chegou no momento em que eu mais precisava. Graças à cooperativa consegui criar meus filhos, que hoje estão formados e trabalhando. A parceria com o TJPE é muito importante porque gera material para reciclagem e contribui diretamente para aumentar a renda dos cooperados. Às vezes, um pouco se faz muito”, relatou.


 

A visita também reforçou a importância do Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos, entregue recentemente ao TJPE pela empresa de consultoria ambiental Roda. De acordo com a consultora ambiental Emanuella Moreira, o documento estabelece diretrizes para padronizar os procedimentos de gestão de resíduos em todas as unidades do Tribunal. “O plano traz orientações sobre separação dos resíduos, tipos de coletores, identificação dos materiais e fluxos de destinação, tudo alinhado à legislação vigente. Também estabelece metas para redução da geração de resíduos e ampliação do envio de materiais para as cooperativas. É um diagnóstico da situação atual e um direcionamento para onde o Tribunal pretende avançar nos próximos anos”, explicou.


 

A iniciativa integra o conjunto de ações desenvolvidas pelo TJPE durante o Junho Verde, reforçando o compromisso institucional com a sustentabilidade, a responsabilidade socioambiental e a construção de práticas cada vez mais alinhadas à preservação ambiental e à inclusão social.

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Texto: Ana Gicelly Nascimento | Ascom TJPE
Fotos: Ivaldo Reges | Ascom TJPE