Notícias

Com as lentes da empatia: curso da Esmape desperta reflexões sobre inclusão e acolhimento

Participaram do curso colaboradores(as) terceirizados(as) e servidores(as) da Escola. 

A experiência pessoal com a deficiência visual transformou a forma como o servidor do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) e assessor da Direção-Geral da Escola Judicial de Pernambuco (Esmape), Nelson Norberto, passou a entender a acessibilidade e a inclusão. Com esse propósito, ele e o servidor do Instituto de Desenvolvimento de Inovações Aplicadas ao TJPE (Ideias TJPE) João Guilherme Peixoto ministraram, nos dias 15 e 16 de junho, o curso "Empatia em ação: acessibilidade no serviço público", promovido pela Esmape. A atividade integra as ações da atual gestão da instituição, que teve como um dos principais objetivos a capacitação de colaboradores(as) terceirizados(as). Nos próximos meses, novos cursos para este público serão ofertados. Também participaram servidores e servidoras. 

"Eu tenho um cuidado e carinho muito especial por este tema. Desde que descobri as minhas limitações, procurei transformar aquilo que Deus me deu, a capacidade de dialogar e me comunicar, em auxílio e ajuda para as pessoas com deficiência. Eu estava afastado da sala de aula há algum tempo e sabia que só voltaria por um motivo muito forte. Esse motivo veio justamente com os meus problemas de visão. Hoje, faço isso com muita satisfação e dou palestras sobre o tema há um tempo", disse Nelson Norberto. 

Na ocasião, os(as) participantes tiveram uma experiência prática de empatia a partir da perspectiva da acessibilidade. Com atividades reflexivas, compreenderam os desafios enfrentados por pessoas com deficiência e analisaram como as legislações e atitudes individuais impactam a construção de um atendimento público inclusivo, acessível e humanizado.

“O segundo dia do curso teve o objetivo de trabalhar um pouco da cultura da inovação dentro da temática da empatia e da acessibilidade. Então, nosso interesse foi que, a partir de desafios que são voltados para o público interno e externo, passarmos por uma série de ferramentas, que são, inclusive, utilizadas aqui, no Laboratório Ideias, para que, a partir desse macrodesafio, eles conseguissem pensar em uma problemática específica, e com foco nessa problemática, a gente trabalhar a construção de ‘solucionáticas’, ou seja, desenvolver protótipos”, explicou o docente João Guilherme Peixoto. 


​​​​​Assim, as equipes apresentaram protótipos desenvolvidos para solucionar problemas reais do tribunal. A formação, além de ter utilizado metodologias ativas de ensino-aprendizagem, como dramatização, design thinking e aprendizagem baseada em problemas, também focou em construir soluções que podem ser aplicadas no D+1, ou seja, caso seja interesse do tribunal, podem ser colocadas em práticas para que, de forma coletiva, seja construído um cenário mais conectado e ligado à pauta da empatia e da acessibilidade.

Durante o curso, o servidor do Núcleo de Acessibilidade e Inclusão (NAI) e da Secretaria de Gestão de Pessoas (SGP) do TJPE Eliseu Magno falou sobre a sua experiência no NAI. “Criado em 2024, por iniciativa da Comissão de Acessibilidade junto à Presidência, o Núcleo de Acessibilidade atua como um braço operacional e instrumento de cidadania para atender o público interno e externo. De lá pra cá, tivemos avanços significativos, inclusive em parceria com a Esmape. Então, nós temos conversado com a equipe para manter esse vínculo, porque entendemos que a cultura muda a partir de eventos como este”, concluiu. 

Em agosto, o colaborador Walter Melo completa oito anos de trabalho no TJPE. Foi a primeira vez que ele teve a oportunidade de participar de um curso sobre esta temática. “Gostei muito da experiência, foi uma bênção. Espero que todos tenham aproveitado! Saímos daqui com outra perspectiva, outra visão daquilo que é empatia e, principalmente, empatia dentro do tribunal, na Escola, entre nós. Sabendo qual é a dificuldade do nosso próximo, seremos mais empáticos com ele e, provavelmente, ele com a gente”, concluiu o colaborador. 

“Falar sobre empatia sempre é algo que mexe comigo, pois envolve o nosso olhar para o outro, a nossa capacidade de enxergar com a lente do outro, e isso é um desafio muito grande, mas necessário. E, como aprendemos no curso, para sermos empáticos e não apenas simpáticos, precisamos olhar primeiro para dentro de nós e lembrarmos que todos temos limitações”, falou a servidora da Diretoria de Formação e Aperfeiçoamento de Servidores (DFAS) Aline Romão.

Segundo a colaboradora Arielly Amorim participar do curso de acessibilidade no Poder Judiciário foi uma experiência muito positiva. “Gostei bastante da forma como o conteúdo foi conduzido, com dinâmicas que tornaram o aprendizado mais leve e envolvente. O que mais me chamou atenção foi a oportunidade de refletir sobre as dificuldades que muitas pessoas enfrentam no dia a dia e como pequenas atitudes podem fazer diferença no atendimento e no acolhimento. Foi um curso rico em informações e que trouxe aprendizados importantes para a vida profissional e pessoal. E, mais uma vez, esta nova gestão traz um olhar para a empatia e o cuidado com o próximo”, frisou.

 

 

----------------------------------

Texto: Carolina Cerqueira | Esmape 

Fotos: Vitória Viana | Esmape