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Esmape recebe atividades artísticas promovidas pelo projeto “Caminhos Literários", evento do CNJ apoiado pelo GMF
A arte e a cultura têm se consolidado como importantes ferramentas de transformação social, oferecendo a jovens em cumprimento de medidas socioeducativas de meio fechado novas possibilidades de diálogo, pertencimento e construção de futuro. Com esse propósito, o projeto “Caminhos Literários no Socioeducativo: pelo direito à cultura” promove ações que estimulam a criatividade, o desenvolvimento de habilidades e a expressão artística, contribuindo para o fortalecimento da cidadania e para o processo de reintegração desses jovens e adolescentes. Na última sexta-feira (3/7), a Escola Judicial de Pernambuco (Esmape) recebeu uma atividade local vinculada à iniciativa, Caminhos pelo Território.
Adolescentes, entre meninos e meninas, participaram de três oficinas artísticas que promoveram o diálogo por meio da cultura hip-hop, estimulando reflexões sobre identidade, pertencimento, cidadania e perspectivas de futuro. As atividades utilizaram diferentes linguagens de expressão para incentivar o protagonismo juvenil, a criatividade e a construção de novas formas de enxergar a si mesmos e o mundo ao seu redor.
Promovido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), por meio do Programa Fazendo Justiça, o projeto “Caminhos Literários” traz, em sua edição de 2026, o tema “Resistir em batida, verso, corpo e traço”, colocando a cultura hip-hop no centro das atividades. A programação reuniu a artista Stefany Lima, conhecida como Fany, que compartilhou sua trajetória no grafite, na pintura e na ilustração; o poeta Lucas Marafa, que abordou a poesia marginal como instrumento de expressão e resistência; e Rafael FX, responsável por conduzir a palestra sobre o break e sua potência como linguagem artística e cultural.
A iniciativa foi apoiada pelo Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Prisional e Sistema Socioeducativo (GMF) do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). “Iniciativas como a do Caminhos Literários devem e precisam ser fortalecidas nas unidades de meio fechado porque a cultura promove ressignificação e pertencimento e, por conseguinte, auxilia no processo ressocializatório", destacou a coordenadora da área socioeducativa do GMF, juíza Marília Ferraz.
“Inicialmente, o “Caminhos Literários” tinha como objetivo fomentar a leitura. E aí, fomos entendendo que não estávamos contemplando todas as linguagens de cultura que os adolescentes se identificam dentro das unidades socioeducativas. Foi quando resolvemos ampliar o projeto. Então, hoje o projeto traz todas as formas de linguagens e expressões culturais”, explicou Érica Renata, assistente técnica estadual do Programa Fazendo Justiça para a Área Socioeducativa.
Segundo Érica Renata, o protagonismo dos(as) jovens e adolescentes foi determinante para a escolha do hip-hop como eixo das atividades: "Trouxemos o hip-hop como tema porque essa foi uma demanda dos(as) próprios(as) adolescentes. Em 2025, realizamos uma Conferência Livre de Cultura e, entre os eixos que estruturaram as discussões e reuniram diferentes demandas para a construção de políticas públicas voltadas ao sistema socioeducativo, o hip-hop apareceu de forma muito significativa. Trata-se de uma linguagem que nasce nas periferias e que engloba diversas vertentes, como música, dança e poesia, por exemplo. Ao olharmos para o que os próprios adolescentes propuseram durante a conferência, entendemos que fazia sentido trazer o hip-hop como tema desta edição”, contou.
"O hip-hop carrega uma forte questão identitária e de pertencimento. A partir do momento em que trazemos uma linguagem que é conhecida por eles e elas, com a qual se identificam e que dialoga diretamente com o lugar de onde vêm, aproximamos a atividade da realidade desses adolescentes. O hip-hop reflete as vulnerabilidades, as mazelas e as vivências dos territórios periféricos. Suas letras têm um forte caráter social, ao levar para o mundo o que acontece nesses espaços, que são justamente a realidade desses jovens. Quando existe esse sentimento de pertencimento e essa identificação com o tema, torna-se mais fácil que eles também se envolvam e se apropriem da proposta”, complementou Érica Renata.
A participação dos artistas nas atividades realizadas na Esmape também foi viabilizada em parceria com o projeto "Entre Poesias e Danças: investigação e criação em ERER no socioeducativo da Funase", iniciativa de extensão da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), desenvolvida pelo Núcleo de Políticas de Educação para as Relações Étnico-Raciais (Núcleo ERER UFPE) e pelo LabERER.
“O projeto “Entre Poesias e Danças”, que promove a investigação e vivências criativas no socioeducativo da Funase, tem a satisfação de participar dessa edição do “Caminhos Literários”. Hoje a ideia foi fazer esse tour por essas três linguagens que fazem parte do movimento artístico do hip-hop. Então, o objetivo foi fazer com que os jovens observassem um pouquinho de cada uma dessas coisas. Foi uma tarde bastante interessante e percebemos isso no depoimento dos jovens, que falaram sobre como aprenderam muitas coisas. Estamos super contentes com essa parceria”, compartilhou a coordenadora do projeto “Entre Poesias e Danças”, professora Elizama Messias.
Entre os(as) participantes, a avaliação da atividade foi positiva. Para o adolescente P. P., de 14 anos, as oficinas proporcionaram aprendizado, reflexão e novas formas de expressão por meio da arte: “A experiência foi muito interessante. Acredito que, com a arte, podemos falar sobre nossas vidas. Pudemos entender mais sobre grafite, poesia marginal, sobre a história do break. Foi bem legal aprender com esses artistas”.
M. R., de 18 anos, contou que a música é a expressão artística mais presente em sua vida: “Eu gosto muito de música, os grupos que mais ouço são NSC e Racionais. São músicas que me fazem refletir bastante. Gostei da experiência de hoje, porque sinto que aprendemos com eles e eles aprenderam com a gente”.
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Texto: Ananda Cavalcanti | Esmape
Fotos: Antônio Martins | Esmape




