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Há quem pense que a Justiça reside apenas em prédios imponentes e em pilhas de papel timbrado. Mas na última quarta-feira, a Coordenadoria da Infância e Juventude (CIJ) do TJPE nos lembrou que a verdadeira Justiça – aquela que nos protege e nos ensina – tem a altura de uma criança.
Em uma parceria da CIJ com a Secretaria da Primeira Infância da Prefeitura do Recife (Sepin) e o Memorial de Justiça do TJPE, crianças da rede municipal de ensino tiveram uma tarde diferente. O objetivo era selar as doces memórias do Dia das Crianças em um ambiente totalmente novo. O endereço? Avenida Alfredo Lisboa, s/n, Bairro do Brum. Um lugar que, por uma tarde, deixou de ser apenas um marco geográfico e virou um ponto de encontro entre o passado e o futuro.
Em mais uma edição do projeto "Justiça é Coisa de Criança", que tem a ousadia de despir a formalidade dos tribunais, os alunos da Escola Municipal Samuel Gonçalves tiveram a oportunidade de mergulhar nas histórias do Tribunal de Justiça de Pernambuco, através das palavras da historiadora do Memorial de Justiça, Cristiane Raposo. Afinal, para que as crianças entendam o seu papel na sociedade, é preciso primeiro que elas compreendam o papel da justiça em suas vidas. É um convite para que percebam que o "certo e errado" não é uma regra fria, mas um pacto de convivência costurado com carinho.
“Foi com uma alegria imensa que recebemos as crianças no Memorial e apresentamos a Justiça aos pequenos. O projeto da Coordenadoria da Infância desenvolve uma atividade de grande relevância, aproximando o Judiciário da sociedade por meio do acolhimento e integração das crianças nas atividades desenvolvidas pela Justiça. Pudemos perceber como a adaptação a uma linguagem simples e lúdica possibilita um momento divertido e de aprendizagem para os pequenos”, explicou Cristiane.
E a recepção, de cara, já chamou a atenção dos pequenos. O local abrigou a extinta estação ferroviária do Brum. A curiosidade dos pequenos teve início logo na entrada, e mais ainda quando adentraram o espaço, que além de atuar como museu, possui um arquivo e uma biblioteca especializada, com o objetivo de preservar e disponibilizar o acervo da justiça pernambucana para pesquisa e acesso público.
“Foi tudo muito interessante. A abordagem lúdica trouxe um pertencimento para eles, pois até então era um lugar sério em seu conceito. Foi importante a forma como foi conduzido todo o passeio”, falou Danielle Pinheiro, professora do 1º ano da Escola Samuel Gonçalves, que fica localizada no bairro do Prado.
A tarde também foi generosa em afeto. Longe da sala de aula convencional, as crianças tiveram a alegria de explorar a brinquedoteca da PCR e participar das atividades com monitores. Uma prova de que a seriedade de uma instituição pode, e deve, conviver com a risada solta e o cheiro de infância. Ao final, como em toda boa festa que se preze, um lanche aconchegante coroou o encontro, adoçando a memória do dia.
"Temos a convicção de que o direito se constrói a partir do lúdico. O projeto 'Justiça é Coisa de Criança' é fundamental para que elas compreendam que o papel do judiciário na sociedade é o de garantir direitos. Essa ação, em parceria, fortalece nosso compromisso com a primeira infância e com a formação de cidadãos conscientes”, pontuou Carla Malta, coordenadora Adjunta da CIJ.
Biblioteca do CICA - E antes mesmo da ação no Memorial de Justiça, as portas da biblioteca do Centro Integrado da Criança e Adolescente (CICA) foram abertas para receber um outro grupinho de crianças da Creche Escola Sítio do Cardoso.
Na ocasião, os estudantes desfrutaram do espaço de leitura, cuidado minuciosamente pela bibliotecária Maria de Jesus. Ao final, como já é tradição no espaço, Maria serviu sua tradicional pipoca, além de um lanche especial que foi ofertado aos visitantes pelo Núcleo de Assessoramento em Gestão e Planejamento (NAGP) da CIJ, responsável pelas duas ações no Mês das Crianças.
"Receber crianças da Creche Escola Sítio do Cardoso para atividades do nosso projeto - Biblioterapia: no CICA a história é outra – foi uma experiência exitosa e gratificante. As crianças participaram ativamente das atividades de mediação de leitura e atividades lúdicas. Utilizamos três livros: Pepa – história de uma menina que queria mudar seu cabelo crespo; Tudo bem cometer erros e O menino que tinha medo de errar. A biblioterapia, além de despertar o gosto pela leitura, visa ajudar no desenvolvimento emocional, social e cognitivo por meio de títulos previamente selecionados para um público específico”, declarou Maria de Jesus Cavalcanti de Melo, que é analista judiciária e idealizadora do projeto.
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Texto: Ana Paula Santos | CIJ
Fotos:Cortesia




